Reestruturação · Guia de contratação

Como escolher uma consultoria de reestruturação empresarial: o que perguntar antes de contratar

Por Force Partners· Revisão técnica: Marlon Korbes, sócio fundador· Publicado em 4 de novembro de 2026· Leitura de 9 min

O que faz uma consultoria de reestruturação

Uma consultoria de reestruturação organiza a saída de uma empresa que perdeu a capacidade de pagar o que deve nos prazos combinados. O trabalho tem três frentes: a financeira (dívida e estrutura de capital), a operacional (margem, custo e capital de giro) e a de gestão (quem decide e com qual informação). O detalhe de cada frente está no guia de reestruturação empresarial.

A consultoria trabalha ao lado do advogado. O pedido de recuperação judicial e o de homologação de recuperação extrajudicial são feitos por advogado, e a defesa da empresa no processo é trabalho jurídico. A consultoria cuida do número: diagnóstico, fluxo de caixa, plano, negociação com credores e execução dentro da operação. Nos casos bem conduzidos, as duas frentes trabalham juntas desde o primeiro mês.

Ela também tem papel diferente do administrador judicial. O administrador é nomeado pelo juiz na recuperação judicial e fiscaliza a empresa no processo. A consultoria é contratada pela empresa para conduzir a reestruturação.

Os seis critérios que separam uma consultoria da outra

1. Quem vai trabalhar no caso

A pergunta mais útil na primeira reunião é quem estará dentro da empresa na semana seguinte à assinatura. Peça os nomes, a formação, o tempo de dedicação de cada pessoa e quantos casos cada uma acompanha ao mesmo tempo. Reestruturação depende de quem está na operação todos os dias, e a experiência que pesa é a de quem executa.

2. Casos parecidos, e como conferir

Recuperação judicial é processo público. Quando a consultoria cita um caso, dá para conferir no tribunal o plano apresentado e se ele foi aprovado. Em negociação privada o sigilo é a regra, e a prova vem por referência de clientes e de credores que estiveram do outro lado da mesa. Pergunte pelo setor, pelo tamanho do passivo e pelo que aconteceu com a empresa dois anos depois.

A aprovação do plano abre a fase mais difícil. O que interessa ao dono é a empresa cumprir o que prometeu, e o artigo sobre recuperação judicial que termina em falência mostra por que a aprovação sozinha não basta.

3. Diagnóstico e execução

Há consultorias que entregam relatório e plano, e há as que ficam dentro da operação para executar. As duas têm lugar. Para empresa com caixa curto, um plano sem execução vale pouco, e executar exige gente com autoridade para decidir sobre compra, preço, estoque e pessoas. Pergunte por quanto tempo a equipe fica e o que ela faz no dia a dia.

4. Todos os instrumentos na mesa

O caminho sai do diagnóstico. Do mais leve ao mais duro, os instrumentos são a negociação direta com os credores, a recuperação extrajudicial, a recuperação judicial e, no extremo, a autofalência. Cada degrau protege mais e custa mais. Uma boa consultoria explica por que escolheu um degrau e por que descartou os outros. O comparativo completo está no guia sobre o instrumento certo para a crise.

5. Número confiável antes da proposta

Credor negocia com base no número que a empresa apresenta. Se o fluxo de caixa projetado não conversa com o extrato bancário, a negociação perde credibilidade na primeira reunião. Pergunte como a consultoria reconstrói a margem por produto e o mapa da dívida, e se a empresa fica com o painel de indicadores depois do projeto.

6. Relação com credores

Bancos, fundos e fornecedores são contraparte, e voltam a ser parceiros quando o plano é crível. Pergunte como a consultoria conduz a conversa com o credor e se já trabalhou para fundos e investidores, porque quem conhece os dois lados da mesa desenha proposta que o credor consegue aprovar internamente.

Quanto custa uma consultoria de reestruturação

Não existe tabela de mercado. O preço depende do tamanho do passivo, do número de credores, de quantas empresas do grupo entram no trabalho e do tempo que a equipe fica dentro da operação. Os modelos de cobrança mais comuns são três, e muitos contratos combinam dois deles.

Modelos de cobrança de consultoria de reestruturação
ModeloComo funcionaO que conferir no contrato
Honorário mensalValor fixo por mês enquanto a equipe trabalha no casoPrazo previsto e o que acontece se o projeto se alongar
Honorário de êxitoParcela ligada a um resultado definido em contrato, como a aprovação do plano ou a redução da dívidaA definição exata do resultado e a base de cálculo
Projeto fechadoPreço único para um escopo, como diagnóstico ou estudo de viabilidadeO que fica fora do escopo

Na comparação entre propostas, entra também o custo de um caminho errado: um pedido de recuperação judicial que a empresa não precisava fazer, ou uma negociação privada que se arrasta enquanto o caixa acaba. Esse custo costuma superar a diferença entre dois honorários.

Na recuperação judicial, a empresa paga ainda, à parte da consultoria, a remuneração do administrador judicial. O juiz fixa o valor, e a lei limita o total a 5% do valor devido aos credores submetidos à recuperação judicial (Lei 11.101, art. 24, § 1º), com teto menor para microempresa e empresa de pequeno porte.

Sinais de alerta na hora de contratar

  • Promessa de resultado antes de qualquer diagnóstico.
  • Recomendação de recuperação judicial na primeira reunião, sem ter visto o número da empresa.
  • Proposta sem o nome de quem vai executar o trabalho.
  • Nenhum caso que possa ser conferido, nem por processo público nem por referência.
  • Discurso contra os credores. Quem trata o banco como inimigo raramente fecha acordo com ele.

Quando contratar

Quanto antes, mais alternativas. Empresa com um ano de caixa escolhe o instrumento e negocia com tempo. Empresa com três meses de caixa executa sob pressão, com menos opções. Os sinais que indicam a hora de buscar ajuda estão no guia sobre empresa em crise.

Como a Force trabalha

A Force é uma boutique de reestruturação com sedes em Itajaí e Chapecó (SC) e atuação nacional. A equipe é multidisciplinar, formada por engenheiros, contadores e administradores, e trabalha em tempo integral dentro da empresa. Os sócios somam mais de 20 anos de experiência, a Force tem 100% dos planos de recuperação aprovados e mais de R$ 2,5 bilhões em passivos reestruturados. Em 2026, entrou no ranking da Leaders League de consultorias de reestruturação e insolvência do Brasil.

Perguntas frequentes sobre a contratação de consultoria de reestruturação

A consultoria de reestruturação substitui o advogado?

Não. As duas frentes trabalham juntas. O advogado faz o pedido de recuperação judicial ou de homologação da recuperação extrajudicial e defende a empresa no processo. A consultoria cuida do diagnóstico, do fluxo de caixa, do plano, da negociação com credores e da execução dentro da operação.

Quanto custa uma consultoria de reestruturação?

Não há tabela de mercado. O preço depende do tamanho do passivo, do número de credores, de quantas empresas do grupo entram no trabalho e do tempo de dedicação da equipe. Os modelos mais comuns são honorário mensal, honorário de êxito e projeto fechado, muitas vezes combinados.

Como saber se uma consultoria tem casos de empresas que se recuperaram?

Recuperação judicial é processo público, então dá para conferir no tribunal o plano de cada caso citado e se ele foi aprovado. Em negociação privada, peça referência de clientes e de credores. Pergunte também como a empresa estava dois anos depois da aprovação do plano.

Quanto tempo dura o trabalho de uma consultoria de reestruturação?

A estabilização do caixa acontece nos primeiros meses. A reorganização completa de gestão, custo, preço e dívida costuma levar de 12 a 24 meses, conforme o estágio da crise e a complexidade do passivo.

Antes de escolher o caminho, o número.

A Force reconstrói o número da empresa antes de propor qualquer instrumento, e a equipe executa dentro de casa.

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